Contos de Nobres vales.
1°
Capitulo - Acordar.
Sinto
meus olhos pesados como se estivesse drogado, meu corpo dolorido como se
estivesse apanhado, minha cabeça pulsa como se estivesse com vida própria. Mais
nada disso aconteceu é apenas mais uma manhã despertada pelo já enjoativo som
do despertador matinal. Meu corpo luta e diz que tenho que ficar na cama, minha
mente sabe que tenho que ficar, porem uma coisa mais forte, chamada necessidade,
me chama para mais um dia de serviço repetitivo e exaustivo.
Minha rotina é simples: acordar,
lavar o rosto, passar café, vestir a roupa, escovar os dentes e ir para o
trabalho.
Toda
manhã utilizo dois ônibus, o primeiro vai para central em Nortvile e segundo
vai para Nobres vales onde fica localizada o hospital psiquiátrico Green Center
onde fico todas as manhas seguindo um protocolo de atendimento, ouvindo pessoas
falar coisas sem sentido, médicos reclamando da vida, enfermeiros e enfermeiras
loucos para entrar em fornicação, além disso também escuto as loucuras dos
pacientes. Geralmente são pedidos simples acompanhados de alguns tiques.
Meus
deveres são coisas rotineiras como anotar pedidos, marcar horário do
medicamento dos pacientes, e fazer o controle de entrega de medicamentos tarefa
que nem sempre é concluída, sem que parece meio relaxado da minha parte porem
tenho meus motivos.
Notei
que quando os pacientes não tomam seu medicamento eles ficam mais normais, mais
sei lá... acho que menos “drogados”.
Dos 12
pacientes que residem na minha ala, o que mais me chama atenção é o senhor
Wilson, o único que não me esqueço de entregar o medicamento, ele possui um
distúrbio emocional, quando ele não toma seu medicamento ele fica com muita
raiva de tudo ficando bem agressivo. Entretanto quando está “drogando” fica
muito calmo chegando a ficar lento, residindo no 1° quarto, que na minha
opinião é o mais aconchegante dos quartos, não que exista alguma diferença dos
outros alojamentos, porem a maneira que a luz entra no quarto do senhor Wilson
pela manhã é simplesmente incrível, o reflexo da luz sobre as arvores e o aroma
do campo é realmente admirável.
O
senhor Wilson é uma pessoa que gosta muito de jogar xadrez, como tenho alguma
afinidade com o esporte, as vezes quando não tenho muito o que fazer na minha
tediosa recepção me entretenho em horas de jogatina com o senhor Wilson que por
sua vez fica sempre calado na cama sem dizer nada, exaltando reação apenas na
hora da sua vitória que vem sem muita dificuldade ou quando começa a ficar
muito nervoso com tudo o que me faz lembrar que já está na hora de seu medicamento. Apesar
de nunca ganhar do senhor Wilson continuo jogando com ele devido a falsa
esperança que tenho de um dia alcançar a vitória, quando jogamos o senhor Wilson
é aquele típico senhor que fica na praça de sua cidade pensando horas e horas
para efetuar um movimento, como tenho tempo entre as jogadas fico reparando o
quarto e o único quadro, que possui um desenho de um barco em um oceano
agitado, também olho para o banheiro cirurgicamente limpo e branco, também me
coloca a pensar sobre a vida do senhor Wilson que as vezes me dá uma certa
agonia já que ele não possui nenhum parente, ninguém nunca o visitou desde meu
início no manicômio, apesar dos apesares ele sempre me parece muito calmo com
esse fato, não sei se é por não ter ninguém para se importar ou para se
preocupar, talvez isso o deixe mais
aliviado.
Os
médicos não sabem ao certo o que o senhor Wilson tem, sempre ouso eles
comentarem que é um quadro intenso de “Transtorno Explosivo Intermitente” ou
como os eles falam o “TEI”, o senhor Wilson quando não medicado fica
extremamente agressivo, joga coisas para todos os lado, não sente dor e tem um
olhar muito assustador, não sou muito religioso também não sou de acreditar nas
coisas mais as vezes quando olho para os olhos do senhor Wilson em seu estado
de fúria me faz pensar em possessão ou sei lá, ele não parece estar ciente do
que está fazendo, ele parece uma marionete...
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