sexta-feira, 22 de maio de 2015

NobrEs vAleS

Contos de Nobres vales.

                1° Capitulo - Acordar.
                Sinto meus olhos pesados como se estivesse drogado, meu corpo dolorido como se estivesse apanhado, minha cabeça pulsa como se estivesse com vida própria. Mais nada disso aconteceu é apenas mais uma manhã despertada pelo já enjoativo som do despertador matinal. Meu corpo luta e diz que tenho que ficar na cama, minha mente sabe que tenho que ficar, porem uma coisa mais forte, chamada necessidade, me chama para mais um dia de serviço repetitivo e exaustivo.
Minha rotina é simples: acordar, lavar o rosto, passar café, vestir a roupa, escovar os dentes e ir para o trabalho.
                Toda manhã utilizo dois ônibus, o primeiro vai para central em Nortvile e segundo vai para Nobres vales onde fica localizada o hospital psiquiátrico Green Center onde fico todas as manhas seguindo um protocolo de atendimento, ouvindo pessoas falar coisas sem sentido, médicos reclamando da vida, enfermeiros e enfermeiras loucos para entrar em fornicação, além disso também escuto as loucuras dos pacientes. Geralmente são pedidos simples acompanhados de alguns tiques.
                Meus deveres são coisas rotineiras como anotar pedidos, marcar horário do medicamento dos pacientes, e fazer o controle de entrega de medicamentos tarefa que nem sempre é concluída, sem que parece meio relaxado da minha parte porem tenho meus motivos.
                Notei que quando os pacientes não tomam seu medicamento eles ficam mais normais, mais sei lá... acho que menos “drogados”.
                Dos 12 pacientes que residem na minha ala, o que mais me chama atenção é o senhor Wilson, o único que não me esqueço de entregar o medicamento, ele possui um distúrbio emocional, quando ele não toma seu medicamento ele fica com muita raiva de tudo ficando bem agressivo. Entretanto quando está “drogando” fica muito calmo chegando a ficar lento, residindo no 1° quarto, que na minha opinião é o mais aconchegante dos quartos, não que exista alguma diferença dos outros alojamentos, porem a maneira que a luz entra no quarto do senhor Wilson pela manhã é simplesmente incrível, o reflexo da luz sobre as arvores e o aroma do campo é realmente admirável.
                O senhor Wilson é uma pessoa que gosta muito de jogar xadrez, como tenho alguma afinidade com o esporte, as vezes quando não tenho muito o que fazer na minha tediosa recepção me entretenho em horas de jogatina com o senhor Wilson que por sua vez fica sempre calado na cama sem dizer nada, exaltando reação apenas na hora da sua vitória que vem sem muita dificuldade ou quando começa a ficar muito nervoso com tudo o que me faz lembrar  que já está na hora de seu medicamento. Apesar de nunca ganhar do senhor Wilson continuo jogando com ele devido a falsa esperança que tenho de um dia alcançar a vitória, quando jogamos o senhor Wilson é aquele típico senhor que fica na praça de sua cidade pensando horas e horas para efetuar um movimento, como tenho tempo entre as jogadas fico reparando o quarto e o único quadro, que possui um desenho de um barco em um oceano agitado, também olho para o banheiro cirurgicamente limpo e branco, também me coloca a pensar sobre a vida do senhor Wilson que as vezes me dá uma certa agonia já que ele não possui nenhum parente, ninguém nunca o visitou desde meu início no manicômio, apesar dos apesares ele sempre me parece muito calmo com esse fato, não sei se é por não ter ninguém para se importar ou para se preocupar, talvez  isso o deixe mais aliviado.
                Os médicos não sabem ao certo o que o senhor Wilson tem, sempre ouso eles comentarem que é um quadro intenso de “Transtorno Explosivo Intermitente” ou como os eles falam o “TEI”, o senhor Wilson quando não medicado fica extremamente agressivo, joga coisas para todos os lado, não sente dor e tem um olhar muito assustador, não sou muito religioso também não sou de acreditar nas coisas mais as vezes quando olho para os olhos do senhor Wilson em seu estado de fúria me faz pensar em possessão ou sei lá, ele não parece estar ciente do que está fazendo, ele parece uma marionete...

               

                 

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